Viajar também pode ser uma forma de se conectar com realidades diferentes e gerar impacto positivo.
A relação de Luana Preterotti com a África começou ainda na infância, a partir de um interesse que se formou entre livros, documentários e imagens que ajudaram a construir, desde cedo, uma curiosidade pelo continente.
Anos depois, uma viagem à Tanzânia marcou o início de um envolvimento mais profundo com o território e com a comunidade local, que acabou se transformando em um projeto de impacto social.
Nesta entrevista, ela compartilha como surgiu a Pés Livres, o trabalho desenvolvido hoje em Moshi e as formas pelas quais o turismo pode contribuir para a transformação social.
Luana, como começou a sua relação com a África e o que te levou até a Tanzânia pela primeira vez?
A minha relação com a África vem desde criança, fase em que já me via apaixonada por tudo que vinha do continente Mãe. Eu era apaixonada por fotos, documentários, livros, revistas — recortava e guardava tudo.
Lembro que meu pai gravava em fita VHS programas documentais que falavam sobre África para eu assistir depois da escola.
O que me levou lá a primeira vez foi o sonho de escalar a montanha mais alta do continente africando, o Monte Kilimanjaro.

Em que momento você percebeu que queria ir além da experiência de viagem e criar um projeto com impacto social no país?
A ideia de um projeto social veio depois de uma experiência na Bolívia, onde em meio a subidas e descidas de montanhas, presenciei crianças vivendo em situações de extrema vulnerabilidade.
Passei a me questionar sobre usufruir do melhor que o lugar tem a nos oferecer, como turistas e não olhar ao que está ao redor.
Decidi, então, que precisava retribuir de alguma forma às comunidades que me recebiam para que eu pudesse turistar e escalar montanhas. Escolhi doar meu tempo, como voluntária com crianças, em todo lugar por qual eu passasse em minhas futuras viagens.
E assim foi, até eu chegar no Kilimanjaro, subir a montanha e descobrir que o meu cume estava ali na cidade, ao lado das crianças e daquela comunidade que se tornou a minha segunda casa.
Como a Pés Livres atua hoje e que tipo de transformação ela busca gerar nas crianças e mulheres atendidas?
A Pés Livres hoje atua como uma ONG na cidade de Moshi, oferecendo gratuitamente o serviço de “day care” para 65 crianças de 2 a 6 anos.
Diariamente servimos 3 refeições, temos uma equipe de 5 funcionários e uma casa linda que acolhe nossas crianças.
Além da escolinha, desenvolvemos um trabalho de geração de renda própria com mães que precisam de suporte financeiro para sustentar seus filhos.


A Pés Livres também é responsável pelas taxas escolares governamentais, uma vez que o país não oferece escola pública gratuita. Assim, todas as nossas crianças que vão para o ensino fundamental e ensino médio têm as taxas, material e uniforme escolar financiados por nós.
Nossa principal missão é que as crianças e as mulheres possam acreditar que têm os pés livres para irem atrás dos seus sonhos e, quem sabe, se tornarem transformadoras sociais na comunidade.
Dando acesso à educação, sonhamos em ver crescer crianças que sejam compassivas, altruístas e amorosas.
Como você enxerga a relação entre turismo e responsabilidade social em destinos como a Tanzânia?
Acredito que temos essa responsabilidade de retribuir de alguma forma aos lugares socialmente desfavorecidos que nos recebem como destino turístico.
Este tipo de olhar para uma viagem, além de contribuir com o desenvolvimento da economia local, tem como intuito que o viajante se envolva e participe do desenvolvimento social e a melhoria da qualidade de vida de uma determinada população.
Em uma viagem de turismo solidário, o que mais vale é a tentativa de fazer bem ao próximo e despertar o compromisso de participar do processo de transformação social e econômica de uma região, por meio de ações solidárias, de acordo com seus interesses e habilidades, oferecendo o que temos de mais precioso, nosso tempo.
De que forma você vê o papel das nossas viagens na sustentabilidade e continuidade das ações da Pés Livres?
A Viin África tornou-se uma grande parceira da Pés Livres com as doações mensais decorrentes das viagens realizadas ao continente.
Ao viajar com a Viin, você também contribui para a educação de mais de 100 crianças no mundo.
As doações da Viin tornam possível a sustentabilidade da manutenção dos custos mensais da nossa escolinha e alimentação das crianças na Tanzania, o que nos permite continuar sonhando!


Para quem quiser contribuir, quais são as formas de apoiar o projeto hoje?
Hoje a principal forma de contribuição é o nosso programa de apadrinhamento recorrente.
Ao doar um valor mensal você apadrinha nossas crianças e torna possível o atendimento e o cuidado à mais de 100 crianças na Tanzânia, através da educação de qualidade e muito amor!
Também recebemos doações pontuais de grandes empresas e estamos sempre abertos a ideias e parcerias.
